Swell com Jacque Silva | Por CarolLucindo

 

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Jacqueline Silva, ou Jacqueline Schveitzer da Silva, ou simplesmente Jacque para os íntimos, nasceu em 17 de julho de 1979, em Barra da Lagoa, Floripa (SC). Começou a surfar bem cedo e desde então não largou mais a prancha, se profissionalizando em 1997.

Começou a se jogar no surf na companhia do seu irmão mais velho, Leandro. Muito incentivada pelos pais, começou a se destacar, ainda numa época em que os campeonatos não contavam com a categoria feminina.

Seu técnico e empresário, Bira Schauffert, foi quem, no passado, a apresentou a sua primeira prancha de fibra de vidro. Quando começou a participar de campeonatos, Jacque competia com os meninos da sua idade, nas categorias de base.

 

 

 

No ano de 2002 Jacque fez uma temporada fantástica, focada no WCT e no tão sonhado título. Conseguiu uma grande vitória nas mega direitas de Honolua Bay, na Ilha de Maui no Hawaii e o vice mundial, ficando atrás somente da penta-campeã mundial Layne Beachley.

Jacque enfrentou grandes barreiras na carreira, mas nunca desistiu de seu sonho. Confira abaixo a entrevista que a surfista concedeu a Longarina.

 

Antes de começarmos, quero agradecer em nome de toda a equipe Longarina, a sua atenção e dedicação ao nos conceder essa pequena entrevista!

1 – Algumas meninas acabam começando a surfar mais tarde, talvez por falta de incentivo e companhia, já outras, dão a sorte de nascer numa família de surfistas e começam a aprender logo com os primeiros passos. Com quantos anos começou a surfar? Sua família é uma família de surfistas?

Jacque: Eu não nasci no meio de uma família esportista, muito menos surfista. Meus pais nem nadar sabem, nunca nem se quer pegaram uma prancha (risos). Comecei a surfar aos 9 anos com meu irmão mais velho Leandro Silva.

2 – Na sua caminhada no surf, encontrou alguma dificuldade por ser mulher? Já sentiu ou já vivenciou alguma hostilidade dentro d’água?

Jacque: Nunca tive problemas por ter escolhido ser surfista. É claro que tinham aqueles pessimistas que não acreditavam inclusive na época eu já estudava e a diretora me chamou a atenção por eu ter repetido 1 ano dizendo que eu só queria surfar e que o surf não ia me levar a lugar algum. Fiquei sentida, mas não dei importância as criticas e segui em frente. Na água nunca tive problemas também. Todos incentivavam e costumavam olhar quando eu pegava onda (risos).

3 – Quando foi que percebeu que você queria o surf pra vida?

Jacque: Foi natural perceber que era aquilo que eu queria, eu só evoluía e tinha bons resultados e aquilo me deixava confiante e mais certa de seguir nesse caminho.

4 – Qual a reação dos seus pais quando disse que queria viver do surf?

Jacque: Meus pais foram meus maiores incentivadores. Minha mãe às vezes reclamava, dizia que antes de surfar teria que ajudar ela no serviço de casa e estudar, mas sempre me acompanhou, junto com meu pai e irmãos nas etapas catarinenses. Íamos todos, toda a família de carro. Meu irmão também competia na época e minha irmã se aventurou em alguns eventos, mas somente eu segui firme em frente.

5- Em 2011 você enfrentou um grande obstáculo na sua vida e na carreira, quando sofreu aquele acidente de carro na Austrália. Em algum momento, durante a sua recuperação, você achou que não iria mais conseguir surfar profissionalmente?

Jacque: O ano de 2011 realmente vai ficar marcado pra sempre. Tinha vindo de um ótimo ano (2010), quando consegui minha reclassificação para o WCT e estava muito confiante. Quando estava hospitalizada, uma enfermeira me disse que não sabia se eu  voltaria a surfar. Fiquei muito apreensiva e mandei um email para um amigo medico no Brasil com o laudo da minha lesão. Ele me disse que eu iria voltar a surfar sem problemas, mas quando cheguei e o encontrei pessoalmente ele disse que o caso foi grave e não quis me dizer já que eu estava recém-operada. Mas no final, depois de tanta dedicação e sendo acompanhada por uma equipe medica muito boa, voltei a surfar cinco meses depois e aos poucos fui perdendo o medo e ganhando confiança pra voltar a surfar, e como sempre surfei. Mas foram momentos muito tensos, mas Graças a Deus fiquei 100% recuperada.

6 – Hoje, quais seus planos para o futuro no surf?

Jacque: Em  2012 quando ganhei o convite da ASP pra correr o circuito, não me senti preparada pra voltar, mas eu também não poderia deixar de competir. Gostaria muito que tivéssemos um circuito profissional brasileiro forte como já tivemos, assim poderia competir no Brasil também. Como competidora pretendo seguir um pouco mais, havendo eventos no Brasil, agora se tratando de circuito mundial, sem patrocínio será inviável continuar.

7 – Todos nós temos uma referencia quando fazemos algo que amamos. Qual foi a sua referencia no surf?

Jacque: Eu tive algumas referencias. Acompanhava desde cedo alguns atletas como Lisa Anderson e os brasileiros Teco Padaratz e Fabio Gouveia que foram um dos pioneiros no circuito mundial, entre outros tantos brasileiros.

8 – Você já surfou em vários picos alucinantes, em vários lugares do mundo. Qual desses lugares você define como sendo O PICO perfeito?

Jacque: já surfei vários picos muito bons, mas em matéria de perfeição, consistência e clima quente, a Indonésia pra mim é o melhor lugar de ondas, Mentawai e Sumatra.

9 – Muitas meninas tem você como referencia no esporte. O Projeto Longarina tem várias garotas apaixonadas pela prancha, em vários níveis de evolução. Que mensagem poderia deixar a elas?

Jacque: A mensagem que eu deixaria pra todas as meninas é para não desistirem de seus sonhos. Sendo surfista ou não, o importante é fazer o que a gente gosta com dedicação, determinação, foco e disciplina. Acho que são ingredientes fundamentais para alcançar o sucesso.

10 – Pra fechar, gostaria de saber quando iremos ver o seu surf aqui pelas bandas de Ubatuba? 😉

Jacque: Eu adoro Ubatuba, estive ano passado por 1 semana e peguei altas. Mas por enquanto não tenho planos de ir, mas ano que vem devo me programar pra voltar…

 

Mais uma vez quero agradecer pela atenção e dedicar todo o sucesso do mundo pra você. Que seu surf e a sua garra continue inspirando a nós todas! E para quem quiser acompanhar mais as ondas de Jacque Silva, sua página é um bom canal!

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