Após a minha primeira surftrip em 2010 para o Peru, eu descobri o quanto era bom e viável viajar para surfar ondas perfeitas. Já há algum tempo eu ouvia falar da perfeição das ondas salvadorenhas, até que no início de setembro desse ano, o sonho se materializou.

Pranchas para a Trip
Como El Salvador tem diferentes tipos de ondas, levei uma 5’8″ que foi a prancha que mais usei na trip (ondas de 0.5m a 1m), uma 5’10” e um 6’4″ para os dias maiores ou para as ondas mais volumosas.

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Picos de surf
A onda que mais gostei e a que mais surfei, já que era bem constante, foi El Zonte. Pegamos em torno de 0.5m a 1m, nessas condições, é bem fácil de entrar e sair, tendo em vista que, com exceção de Las Flores, todas as ondas eram point break (fundo de pedra).

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Pra mim, as ondas mais difíceis foram Punta Mango, Punta Roca e La Bocana. Em Punta Mango se chega de barquinho e tem uma das direitas mais perfeitas que já vi ao vivo, bem tubular, linda de se ver (onda “gringa”, como chamamos aqui no Rio). Quando fui estava tão clássico que ficou “over” pra mim. Como era apenas o 3º dia da trip não me senti confortável e segura para disputar as ondas de 1.5m a 2.0m (em fundo de pedra) com o crowd nervoso do pico. Acabei me posicionando mais para o rabinho da onda, onde não peguei muitas ondas, mas me diverti com o que sobrava, saí ilesa e pude apreciar o espetáculo da natureza!

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Punta Roca (pico de direita mais famoso de El Salvador) pegamos ondas tubulares, em torno de 1m na maré seca. Achei perrengue a entrada e saída do mar e não consegui surfar bem, pois, como estava muito raso, em qualquer vaca ou saída da onda ou eu batia em alguma pedra.

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E La Bocana, que é um pico de direitas e esquerdas, a onda forte e mais rápida, com fundo bem raso e chatinho também para entrar e sair do mar. Não me encantou! Peguei ondas mais curtas e fechando rápido.
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De resto, amei todos os outros picos!!! Las Flores é uma onda bem extensa, em fundo de areia (onde dá um conforto maior de vacar) e o local é paradisíaco! Se tiver swell vale muito a pena ir!

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Sunzal é uma onda bem gorda e mais lenta, boa para treinar cutback. Apesar de ser fundo de pedra, é uma das melhores para os iniciantes, pois é bem fundo. Só é bom tomar cuidado nos dias maiores, pois o caldo é forte e demoradinho.

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Achei Km 59 mais parecido com El Zonte. Pegamos com um tamanho legal e fiz a cabeça lá! Ondas extensas (em torno de 5 a 7 manobras) e que te proporcionam tempo para pensar e treinar as manobras.

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Em Mizata, que já fica um pouquinho mais afastada, existem alguns picos que funcionam em condições específicas. O que me encantou foi um a direita, mais à esquerda da praia, em frente a uma pedra linda, com um visual exótico e deslumbrante.

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Hospedagem

Me hospedei no Vaquero Surf Lodge que, apesar de ser uma pousada simples, era bem limpinha (o mais importante para mim) e possuía tudo que precisávamos, ar condicionado funcionando bem (fundamental, pois lá é extremamente quente), piscina para se refrescar e relaxar após o surfe e cozinha para os hóspedes prepararem suas refeições e economizar uns dólares.

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A pousada é super bem localizada, no “bairro” de La Libertad, de onde se pode ir andando para surfar La Bocana, La Bocanita e Sunzal. Além disso, fica bem pertinho das lojinhas e restaurantes do centrinho, só que sem o tumulto e o barulho.
O Vaquero, dono da pousada, que é excelente fotógrafo (um dos melhores) e surfista casca grossa, conhece muito bem as condições e é respeitado pelos locais, presta ainda o serviço de transfer para o aeroporto e de guia local de surfe (leva para os melhores picos).

El Salvador

Vaquero registrando o surf em Punta Roca

Meios de locomoção

Em relação a necessidade de se alugar carro, como disse antes, existe a possibilidade de ir a pé para 3 picos de surfe. No entanto, existem outras ondas maravilhosas para se surfar. Como El Salvador tem fama de ser um país perigoso (devido principalmente ao histórico não tão antigo de guerra civil e aos conflitos entre gangues), seu sistema de transporte público é caótico (os ônibus são hardcore) e o país é bem pequeno, achamos que compensou contratar os serviços de transfer (van compartilhada com outros clientes) e guia de surfe do Vaquero. Com ele tivemos segurança, boas escolhas de picos de surfe, agilidade e conforto!

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Seu inicio no surf…

Sempre tive vontade de aprender a surfar, no entanto, morava longe da praia, não tinha carro e muito medo do mar. Quando comecei a namorar o meu marido (Rafael Feijó), que já era surfista e professor de surfe, até cheguei a ter uma iniciação no esporte, mas a distancia e a vida corrida de trabalho e estudo continuaram dificultando a realização do meu sonho. Até que em 2007 fui morar perto da praia e passei a aproveitar o máximo possível dos ensinamentos e motivação que meu marido me dava! Se não fosse por ele, que teve muita paciência para me ensinar, mesmo com minhas crises de medo, não teria aprendido a surfar. Hoje ele dá aulas para o público feminino, iniciante e intermediário.

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Treinamento específico para o surf

No início de 2015 apesar de já saber surfar, quis aprimorar minha performance e técnica de surfe e comecei a treinar com análises mais técnicas, com feedback para melhorar posicionamento, manobras, atitude no mar e poder assim tirar o maior proveito de uma sessão de surfe, além do Movimentos de surfe no solo (MSS), para ganhar consciência dos movimentos, e as surftrips, em que fazemos clínica de surfe em ondas clássicas! – Fiquei 12 dias em El Salvador!

 

 

 

Visita das wahines à oficina de shape do The Buddha Project

Visita das wahines à oficina de shape do The Buddha Project

 

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Surf Coach Rio

1 - IMG_2752Obs: As aulas de surf são bem completas! O objetivo é dar autonomia e segurança para as alunas, acelarando o aprendizado, evitanto perrengues e proporcionando motivação! Aprendendo sobre fenômenos naturais que influenciam no surf, história do surf, preparo físico para a prática do esporte.

Surf pra mim é…

O surfe para mim não é apenas uma modinha passageira, ou o esporte no qual me encontrei! Surfar pra mim é estilo de vida, é a forma pela qual vivencio o mundo e, em consequência, faço minhas escolhas e guio minha rotina.

Dentre alguns dos diversos benefícios que a prática traz para minha vida estão: alívio do stress (não há nada que um dia de surf não cure), a sensação de bem-estar (é inenarrável o prazer de pegar uma onda), a melhora do condicionamento físico, do equilíbrio e da agilidade, o contato constante com a natureza (aumentando a preocupação com sua preservação), o autoconhecimento e o trabalho de aspectos emocionais (persistência, determinação, paciência, respeito, foco, coragem, atitude, humildade). Resumindo: eu vivo me organizando para poder surfar e surfo para poder viver!

 

DICAS, FOTOS E TEXTO by @Natasha.Cerqueira