*Série Money REBEL e Longarina

Quando fomos convidadas a desenvolver essa série de matérias com o REBEL, foi inevitável não pensar sobre o sistema econômico em que vivemos. Uma das coisas onde caí foi: “Como quase tudo em nossa economia é pautada no patriarcado né?”

Quando penso em economia a cena que vem a mente são homens, apenas homens, vestidos em seus ternos debatendo sobre o comportamento da sociedade e dinheiro! Por mais que em minha cabeça exista a busca 100% pela desconstrução dessa idéia e a certeza de que mulheres podem e devem ocupar onde e o que elas quiserem.

Pois bem, que bom que nessa desconstrução não estamos sós e existe muita gente do bem pensando em como fazer as coisas diferentes. Um deles é o Yunus, conheci seus ideais há alguns anos, quando ganhou o prêmio Nobel da paz. Cavando sua história, soube que ele foi o fundador do “banco dos pobres”.

Pesquisando mais encontrei que Yunus atribuiu a origem de sua missão a um encontro em Jobra, com Sufia Begum, uma jovem de 21 anos que lutava desesperadamente para sobreviver. Para poder trabalhar Sufia tinha tomado emprestado cerca de 25 centavos de dólar americano a um agiota de seu bairro, que lhe cobrava juros de 10% ao dia. Com esse dinheiro, Sufia comprava bambu para fazer tamboretes. De acordo com o “contrato de empréstimo”, Sufia era obrigada a vender seus tamboretes exclusivamente ao agiota que lhe financiara e que pagava um valor muito abaixo do valor de mercado. Assim Sufia conseguia obter um “lucro” de cerca de 2 centavos de dólar. Para todos os efeitos a condição de trabalho de Sufia era igual à de um escravo.

Yunus encontrou 42 mulheres em Jobra nas mesmas condições e resolveu, ele mesmo, emprestar-lhes seu próprio dinheiro a taxas bancárias normais. Inicialmente emprestou 27 dólares, aproximadamente 62 centavos por tomadora.

Surpreendentemente, Yunus recebeu de volta, com pontualidade, o capital e os juros de todos os empréstimos que fizera Isso lhe deu a ideia que talvez fosse possível expandir esse processo, ele concebeu, e conseguiu implantar, a mais conhecida e bem sucedida experiência de microcrédito do mundo que iniciou em 1976, concedendo empréstimos de pequena monta, com seus próprios recursos, para famílias muito pobres de produtores rurais, focalizando principalmente nas mulheres. Os bons resultados obtidos nessa primeira fase do projeto levaram-no a expandir essas operações com recursos de terceiros.

Em 2006, Yunus e o Grameen Bank ganharam o Prêmio Nobel da Paz. De acordo com o comitê responsável pelo prêmio Nobel, a distinção é um reconhecimento “aos seus esforços para gerar desenvolvimento econômico e social a partir de baixo. O desenvolvimento a partir da base também contribui para o avanço da democracia e dos direitos humanos”

Quando Yunus conta sobre as pessoas que contratavam o empréstimo, a maioria eram mulheres, o que me chamou a atenção disso tudo foi o comportamento delas, que na maioria das vezes honram com suas dívidas. Noutra pesquisa sobre mulheres e seus comportamentos é citado que o dinheiro em suas mãos multiplica e é distribuído no vilarejo entre as famílias, comunidade e suas necessidades, enquanto o comportamento no caso dos homens é diferente, estes concentraram na maioria das vezes o dinheiro em sí ou em superficialidades.

Segura esse fato aí em cima e engata no próximo aqui de baixo:

É comprovado no Brasil que o índice de mulheres formadas é maior que o de homens, que ganhamos sim menos que eles, que quanto maior o nível de educação entre mulheres e homens, maior a disparidade de renda entre nós e eles, é comprovado também que cresce o número de mulheres chefiando famílias, mesmo assim, os números mostram que a igualdade entre  mulheres e homens no Brasil está separada por dois séculos.

Agora … Se “estatísticamente” falando somos mais dedicadas em nossa educação, trabalho e economia, porque ainda não nos vemos tão ativas economicamente? Por que apesar de demonstrarmos na maioria das vezes maior comprometimento, somos tidas como as “mais gastonas” ou “bagunçadas financeiramente? ”. Às vezes acho mesmo que esses rótulos são coisas do tal consciente coletivo nos fazendo acreditar em nossa incapacidade de gerir e gerar a energia monetária, assim como insistem em dizer que mulheres são rivais e não parceiras.

Novamente, o patriarcado nos convencendo de sermos menos do que realmente somos, mas é só ligar os pontos  pra entendermos e sabermos da nossa capacidade em gerir o que houver pra gerir, seja nossa vida financeira, pessoal, profissional e o que mais tiver!