Não é de hoje que algumas criaturas se acham no direito de maltratar, oprimir e em situações mais extremas, agredir e expulsar pessoas ditas “desconhecidas” por elas, de praias,simplesmente por se dizerem locais, ou os donos do pedaço. O dito localismo se refere a pessoas nascidas na praia ou cidade em questão ou, em alguns casos, que possuem casa ou que já frequentam a algum tempo o pico.

Num belo final de semana de setembro deste ano, passei por uma situação patética, e por que não dizer, nojenta. Mas de certa forma, (pelo menos pra mim depois da raiva), acabou sendo motivo de piada e muitas risadas.

Estava surfando na praia de Itamambuca, em Ubatuba. Chegamos na praia bem cedo, como de costume e, como de costume, ficamos na mesma rua de sempre. Quando saía da água, vi que ao lado das minhas coisas, estavam duas criaturas conversando. Assim que fiquei a certa distância do “meu pedacinho de areia”, uma delas passou a me olhar de uma forma esquisita, franzindo a testa, me medindo de cima a baixo e começou a cochichar com a outra, algo que, daquela distância, não consegui entender.

De tanto me olharem comecei a ficar sem jeito, e passei a me analisar, vai que meu John estivesse rasgado, eu estivesse com um peixe morto pregado na cabeça ou, quem sabe, tivesse chutado um dos filhotes de quero-quero que estavam caminhando a beira d’água (vai saber, né?). Assim que fui chegando perto, as carinhas de nojo ficaram cada vez mais intensas e daí consegui ouvir os comentários, ditos pela loira sarada que me admirava desde ao longe: “Nossa, como essa praia tá cheio de gente estranha, né? Antigamente era só a galerinha legal, hoje qualquer um vem pra cá! Vou surfar aqui na frente mesmo, demora mais pra vir onda mas pelo menos eu fico sozinha, tranquila!” Talvez para algumas pessoas isso não seja nada, talvez outras podem até me chamar de exagerada, mas eu estava lá e senti na pele qual foi a intenção dessas palavras.

E não preciso me estender muito, pois quem surfa, se não sentiu isso, um dia vai sentir, infelizmente. Eu acabei caindo na risada e nada do que aquela pessoa falou me afetou, muito pelo contrário, eu e meu marido demos muitas risadas depois (inclusive da cara dela). Mas outras meninas, poderiam se sentir oprimidas e desconfortáveis e, assim como uma grande amiga me relatou “pegaria suas coisas e iria embora dali na mesma hora”.

Gostaria mesmo de entender o porquê de situações como essa. O mar é grande demais pra egoísmo, egocentrismo e quaisquer outros ‘ismos’ que possam existir. Passei os últimos 4 anos da minha vida indo todo-santo final de semana pra aquela praia, ficando na mesma rua, na mesma faixa de areia e se eu vi a cara daquela mulher umas duas ou três vezes foi muito!

Fora os anos anteriores, quando nem mesmo surfava, quando ainda era criança, ou seja, isso já faz um bom tempo. Localismo só é uma coisa a mais pra sujar a imagem do surf, da filosofia por trás de um esporte. Surf não é só um esporte, é um estilo de vida, uma filosofia e, para muitas meninas (e eu me incluo nessas) é o que faz o coração disparar, o que faz aflorar os maiores e melhores sentimentos.

Local pra mim só a Maria-farinha e todos os outros bichinhos que habitam nossas praias e mares desde que o mundo é mundo. Passou por isso? Ficou mau? Pensou em desistir? Bola pra frente, por que existem muitos mares, muitas ondas e as ondulações nunca vão deixar de vir pra nós!

 

Alo)(a! ♥