​Sabe que a Longarina surgiu com a idéia de ver cada vez mais mulheres nas pranchas né? … ​Num ano onde “empoderamento da mulher” estava começando a ser falado. Juntando meninas aqui e acolá pra mostrar que elas podiam cair na água, num ambiente acolhedor de hermanas!

Um belo dia alguém nos disse: “… É… você empoderam mulheres né?” e a resposta foi: “Oi?”. Pois é, nem pensávamos nisso mas descobrimos que a Longarina já nasceu empodarada bebê!

E junto com esse envelope, veio um tema que até nós mesmas tinhamos pré-conceito, preconceito com a palavra: FEMINISMO. Não dá pra falar de #powergirl sem falar de feminismo!

Ooops! Feminista eu? … não, imagina, eu não queimo sutiã, adoro cozinhar, quero ter filhos e amo meu namorado, para nós a mulher não deve estar ACIMA dos homens mas sim AO LADO! Hum-hummm, fale mais sobre isso…

É migas, tivemos que entender melhor o termo, o movimento e nossas cabeças para sair do armário o.O! E aqui estamos!

Um belo dia lemos num canal de surf o seguinte comentário de homens AND mulheres num post: “Afffffff, essas feminazzi já chegaram até aqui (no surf)?”

Ai colega, sentimos dizer mas elas brotam e é ge-ral!! Vocês acham mesmo que isso não chegaria na redoma de vidro do surf (e afins)? E que bom que chegou, por que olha só! A gente vem aqui escrever algumas palavras sobre esse assunto que é tão profundo e merecia não uma matéria, mas um livro!

Convivemos com muitas mulheres, ao todo mais de 300 já botaram o pé na prancha com a gente, e vemos ainda a grande falta de informação sobre o tema. Muitas acham que o feminismo é declarar guerra, mandar e comprar briga com os companheiros, a gente antecipa que não! Nunca te pedimos nada, então … dá o play nos primeiros 01:25 de FLAWLESS de Beyoncé _/\_ pra entender de leve, com a fala da fodástica escritora Chimamanda Adichie (olha ela aqui)

 

Feminismo (resumidamente) é um movimento social que:

Busca por equidade (e não imposição sobre um gênero) = Onde eu, tu, elas, eles, nós, vós,temos salários igualitários (sem essa diferença de 30% que existe entre homens e mulheres no mesmo cargo | BID), onde as meninas ocupem as cadeiras de uma escola tanto quanto os garotos , onde as responsabilidades numa sociedade sejam divididas (desde as tarefas de uma casa ao cuidado com os filhos),

Busca o fim da violência de gênero (sim, você pode não achar que seja seu caso escrachado, mas mulheres já foram agredidas só por serem mulheres), o livre harbítrio de ir e vir, no Brasil, a cada 12 segundos uma mulher é violentada, de acordo com uma pesquisa da Secretaria de Políticas para Mulheres do Governo Federal, a cada 10 minutos, uma mulher é estuprada, de acordo com o Mapa da Violência, e a cada 90 minutos uma mulher é assassinada, de acordo com o IPEA. Todas essas violências estão relacionadas à questão de gênero – são casos que durante muito tempo foram chamados de “passionais”, são casos que acontecem dentro de casa, no seio familiar, e que se diferem da violência que atingem os homens, que morrem por diversos motivos, mas nunca por serem homens.

São as maiores vítimas de assédio sexual no trabalho, normalmente cometido por homens em situação de hierarquia superior. Enfim, por vários motivos, ainda há muito o que conquistar em termos de direitos  

Além de todos os últimos acontecimentos à tona sobre os casos de estupro que acompanhamos. Daí você pensa: “Mas gente? … esse assunto já deu né? Eu nem vivo tantas coisas ruins assim… minha vida é linda, eu sou do esporte, da paz e amor, é #tão2015 esse papo e vocês vem agora falar disso?”. Certo, vamos trazer mais para perto então … Em um dos grupos de mulheres que surfam e fazemos parte, já lemos sobre o caso de uma garota que foi agredida NA ÁGUA, por que estava ali de boas, pegando a onda dela quando um fulano (que ela não o rabeou, achou que o lugar dela era na areia), foi literalmente pra cima! Esse foi um caso extremo aparentemente isolado, mas … quantas outras mulheres já podem ter passado por essa hostilidade e ficaram quietas e sozinhas?

Agora trazendo mais ainda para perto, quantos assobios, gemidos, adjetivos pejorativos, comentários baixos, encostões, encoxadas, olhadas de “bunda”, seguradas pelo braço, olhares despidores, perseguições de rua, rodinhas de homens intimidando, imagens e vídeos de whatsapp, você já viu, passou por perto ou ouviu?

AND, E, &, quantas meninas você já xingou, mediu, humilhou, julgou, ajudou a difamar, por conta de competições sem sentido, de busca pela atenção e aceitação masculina, territorialismo, por ter se sentido ameaçada, por querer fazer parte de um grupo ou por ter medo de ir contra opiniões da massa e parar aquela palhaçada?

O machismo não cabe somente aos homens, assim como o feminismo não cabe somente às mulheres. É triste ver homens com atitudes como as citadas acima como é triste ver mulheres que não acham nada demais essas atitudes também. Quanto mais esmigalhadas e desunidas estivermos (nós mulheres e todas as demais classes que estão aí), pior para nós e melhor “para outros”. Se definir feminista é uma opção que está  aí para se querer ou não (e VIVA o livre arbítrio povo!) mas se não é seu caso abraçar essa, não degrine seu significado.

Esse tema não é #mimimi, não é choradeira de feminista, não é falta de uma “pia de louça pra lavar”, e chegou SIM no surf, no skate, no wake, no SUP, no Bodyboard … sabe por que? Por quê chegou no mundo, no nosso mundo e de repente ele pode soar para você, #mig@, como um papo chato num ambiente tãããão mais legal que é a praia, o mar, a pista de skate, mas que precisa ser dito cada vez mais e mais longe (se depender de nós)

Que o empoderamento comece em cada uma de nós, em casa, no trabalho, entre as mulheres se ajudando no dia a dia, e se está longe da sua realidade uma agressão física e demais reinvidicações do movimento feminista, saiba que a agressão verbal e piscológica (tb estão na lista) pode estar bem mais perto que você imagina, a reflexão é necessária e a constatação pode incomodar, mas quando tivermos EMPATIA por outras mulheres (assim como por todos os demais seres nesse planeta) nos fortalecemos e minimizamos esse cenário! O mundo precisa que todos tenham voz, mas precisamos começar por partes, pelos minorizados e no caso, mulheres.

Se amem, se informem, se empoderem (sem diminuir a coleguinha do lado), tem espaço para todAs e se uma cair, ajude a levantar, podemos ser agentes diárias para o nosso bem e das outrAs tabém   ***FLAWLESS***.

Citações: (Rafaela Marques, jornalista – http://meexplica.com/)