Até alguns anos atrás ficar em pé sobre uma prancha era arte para poucos. Surfistas dominavam o outside e os reles mortais permaneciam na areia torrando sob o Sol. Aqueles seres únicos chamados surfistas chegavam na praia com uma prancha em cima do carro e todos queriam ser como eles. Graças ao advento do stand up paddle – o esporte que mais cresceu no Brasil no último verão – hoje em dia uma infinidade de pessoas de diversos perfis descem para a areia com suas pranchas debaixo do braço.

 

O SUP, apelido que encurta o nome em inglês que define o esporte, é uma modalidade de remada em pé sobre uma prancha que varia de tamanho desde as super pequenas de 7 pés – próprias para o surfe – até as enormes de 17 pés especialmente desenvolvidas para travessias oceânicas. As que estão bombando nas praias do Brasil, principalmente na Região Sudeste entre os estados do Rio, São Paulo e Espírito Santo, são as de tamanho que variam de 9 a 12 pés.

 

O SUP levou o estilo aloha spirit do surfe para muitas pessoas que jamais se imaginariam em pé sobre uma prancha. Deixar o grito do vendedor de picolé na areia e partir para o mar com uma prancha e um remo debaixo do braço passou a ser realidade para não surfistas também, e aí mora o grande sucesso deste esporte.

Quanto mais larga uma prancha, mais estável ela é. E são estas que vemos por aí com papagaio, periquito, cachorro, cadeira de praia, vovô, vovó e criancinha em cima. Ah sim, e às vezes um remador! Costumo dizer aos meus alunos que remar de SUP é um esporte como a corrida: qualquer um pode calçar um tênis de alta performance e sair correndo por aí, feito Forrest Gump, mas isso não faz dele um corredor. O SUP vem se disseminando com muitos Forrest Gumps que têm todo o material para a prática do esporte, mas muitas das vezes não aprenderam nem a segurar o remo de forma correta para praticá-lo.

 

CERTO X ERRADO

right-wrong

 

O modelo de SUP que tem movimentado bastante gente neste esporte são as races, pranchas com tamanho a partir de 12 pés que tem o bico mais fino e o fundo menos chapado, diferente dos modelos mais estáveis disseminados pelas praias. Com elas o remador ganha mais velocidade e autonomia de distância. A race permite brincar a favor do vento com a modalidade conhecida como “downwind”, em que é possível literalmente surfar remando com ondas e vento a favor.

Seja levando o esporte na brincadeira de final de semana com as pranchas fun for all ou a sério com qualquer outro modelo, fato é que o SUP veio embelezar a atmosfera das praias brasileiras. Aproximou mais o brasileiro que vive no litoral de seu próprio mar, que antes era o cenário apenas dos mergulhinhos na beira d’água e agora é raia de longas remadas. Além disso, o SUP despertou nas pessoas o gosto pelos esportes a remo chamando a atenção, por exemplo, da canoa havaiana, esporte que chegou ao Brasil no ano de 2000, bem antes da febre do SUP, mas só agora tem sido notado.

Para conhecer mais, se liga nesse filme de um DW (“downwind”) de 14 km da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, até a Praia de Charitas, em Niterói.