Ô se temos histórias de mulheres f*d@s pra contar! Por isso à partir de gora você acompanha aqui na Longarina nossa nova coluna: [Dona dessa história] com uma série de inspirações REAIS de mulheres ligadas aos esportes de prancha| água e lifestyle, que de alguma maneira quebraram tabus, nos inspiram e mostraram pra que veem!

Não poderíamos começar essa coluna de uma forma melhor!

Saiba que nem só de “Moana vive a história de mulheres fortes no Havaí. Estamos falando de Ka”iulani Cleghorn, a última princesa havaiana da ilha, dotada de uma inteligência incrível, carisma contagiante e de uma popularidade notável vinda de sua garra, como defensora da independência e amor pelo Havaí e sua cultura.

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Ka”iulani nasceu em Keoua Honolulu filha de um escocês Archibald Scott Cleghorn Ka’iulani que tinha emigrado para o Havaí com apenas dezesseis anos tornando-se um dos mais ricos homens de negócios da ilha e de  Miriam Likelike (1851-1887), princesa havaiana e irmã dos dois últimos monarcas do Havaí, o rei Kalakaua (1836-1891) e da princesa Lili’uokalani (1838-1917).

Entre as paixões de Ka”iulani estavam seus passeios pelas praias, a natação, o ukelele e claro: o surf.

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Autor: Capitão James Cook (1779)

 

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Ka”iulani  viveu parte de sua vida no Havaí e parte em Londres, à partir do verão de 1889, onde se viu fascinada com as grandes metrópoles. Em suas cartas se dizia animada com o ambiente artístico da cidade e as suas muitas atrações, tais como teatros, concertos, etc. O entusiasmo foi tanto que acabou ficando pela terra dos chás, e se matriculou na escola Grande Harrowden Hall of Northhamptonshire.

Ávida por conhecimento, a princesa que dominava o alemão, francês e inglês, junto com sua paixão por literatura e matemática se tornou reconhecida por suas inúmeras idéias. Ka”iulani viveu cada minuto de suas andanças pela Europa deixando claro sua paixão pelas pessoas com a participação de inúmeras campanhas de angariação de fundos para os mais necessitados.

Conforme o tempo passava na terra da rainha, a princesa Ka”iulani, progressista com uma personalidade firme e alma livre, recebeu a proposta de um casamento por conveniência com o príncipe japonês Higashifushimi Yorihito; que respondeu rapidamente com o seguinte agradecimento: “Poderia me casar com um rico conde alemão, mas o fato é que eu não gosto. Acho que seria errado casar com um homem que não amo. Isso me faria uma mulher infeliz. Espero que entendam a recusa de proposta. “

Enquanto a princesa vivia a vida metropolitana de Londres, em 1891 o rei havaiano Kalakaua morreu durante uma viagem aos Estados Unidos . Por não ter filhos, a coroa havaiana passou a coroa para a irmã do rei, a princesa sexagenária Liliokalani também sem filhos, logo, a princesa Ka’iulani, sobrinha da rainha Liliokalani, foi designada como herdeira do trono do Havaí.

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Seu destino estava realmente em sua terra natal. Ka’iulani estava pronta para seu retorno quando foi pega de surpresa recebendo a notícia de um golpe realizado por um número de ministros nomeados por sua tia, que se recusou a assinar uma nova constituição. A rainha tinha sido deposta e tudo apontava para o objetivo do golpe de anexação do Havaí aos Estados Unidos. A princesa não acreditava na notícia que colocaria seu sonho de reinar e cuidar do Havaí, literalmente por água abaixo. No entanto, com muita firmeza decidiu que estava pronta para defender a independência de sua nação.

Em uma famosa carta à imprensa britânica, Ka’iulani pergunta: “O que eu fiz de errado para eu e meu povo sermos privados de nosso país? Estou cerca de viajar para Washington para recuperar o meu trono, meu país e minha bandeira!“.

Foi de navio para os Estados Unidos onde após a chegada em Nova York anunciou a sua intenção de se reunir com o presidente Grover Cleveland (1837-1908), a fim de reivindicar de volta seus direitos. A reunião acontece e o presidente se disse fascinado com “beleza, elegância e doçura” da princesa havaiana, prometendo encontrar uma solução para o seu pedido. Ka’iulani tornou-se, com apenas 17 anos, uma celebridade nos Estados Unidos, onde a sua integridade e sua luta incansável para o seu país se tonou uma causa admirável. No entanto, o Congresso dos EUA se recusou a restaurar uma rodada monarquia no Havaí, chegando a proclamar a ilha como uma república em 1894 .

Finalmente, em 1897, a princesa recebeu autorização para voltar para o Havaí, mas sem qualquer esperança de recuperar seus direitos como futura chefe de Estado. Em 1898, contradizendo suas crenças sobre o casamento, mas por força das circunstâncias políticas, a princesa concordou em se casas com o príncipe David Kawananakoa (1868-1908). Nesse mesmo ano, Havaí é oficialmente anexado pelos Estados Unidos. A Família Real esteve presente na cerimônia de anexação, mas como um protesto todos os membros se vestiram de luto. Após a perda de sua mãe, esse, foi o dia mais triste de Ka’iulani, que a partir daquele momento se tornou uma cidadã da ilha, sem títulos ou homenagens. “O dia da anexação foi pior que a morte“, afirmou a princesa.

Entre alguns dos atos de Ka’iluani está o mais popular de todos. Numa forma de protesto  contra a proibição da cultura havaiana pelos americanos, a princesa pegou sua prancha de surf, uma alaia, e caiu no mar como uma forma de reivindicação pela escravização dos havaianos nos canaviais e plantações de abacaxi. Após essa ato, a princesa teve sua prancha escondida, tão escondida que ainda hoje é a unica prancha original da dinastia da família real  do Havaí. 

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Alguns anos depois, Ka’iulani foi surpreendida por uma pneumonia grave pêga depois de um de seus passeios durante as tempestades na ilha, vindo a falecer aos 23 anos.

Ainda hoje a princesa é considerada uma heroína pelos havaianos, que vão sempre lembrar de suas palavras: “Eu teria sido apenas uma boa rainha, sonhado em fazer muitas coisas boas para o meu povo e sendo a pessoa mais feliz do mundo“.

E nós aqui somos eternamente gratas pela sua interferência no surf e exemplo de mulher!

Mahalo Ka’iulani!