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Sempre tive muita afinidade com a água e uma paixão incrível pelo oceano, pelo mar. Sempre gostei de estar perto do mar, quando ia para a praia com as minhas amigas, gostava de ficar mais na água do que na areia tomando sol, sempre fazendo alguma coisa, seja nadando, seja brincando, seja conversando, seja apenas apreciando.

 

Sempre passei férias nas praias de Florianópolis e surgiu minha paixão pelo bodyboard, ainda quando eu era adolescente. Ficava na horas na água com meus primos tentando pegar onda de bodyboard.

 

Mas o tempo passou e as responsabilidades aumentaram, as viagens diminuíram e era hora de pensar mais no dever do que no lazer, estudei, me formei, fiz pós, trabalhei muito, viajei, morei no exterior, me especializei para poder ingressar no mercado de trabalho e me estabilizar financeiramente e até para construir minha carreira profissional.

 

Comecei a praticar natação duas vezes por semana, até que do básico, passei para o intermediário e depois para o nível avançado em um ano. Depois passei a me interessar em participar de travessias aquáticas, em mar aberto, nadar no mar mesmo, eu adorava o clima, a sensação de terminar uma prova e de participar de um evento desse, porque era e sempre será uma competição comigo mesma.

 

Da natação, passei para o mergulho, fiz curso de mergulho básico e avançado, sou credenciada e aprendi a mergulhar com cilindro em grandes profundidades, é uma atividade deliciosa, mas envolve muito curso, muito dinheiro, muito investimento em ótimos equipamentos e é sempre preciso estar com pessoas com muita experiência para poder mergulhar, estar no fundo do oceano em contato com a vida marinha, é uma sensação indescritível.

 

Mas ainda faltava algo na minha vida, algo que realmente me desse prazer e que fosse divertido e que me fizesse realmente feliz e realizada e foi aí que eu descobri o surf.Foi com uma amiga, nas férias, estávamos na praia pensando nas coisas que queríamos realizar antes dos 40. E umas das coisas, era aprender a surfar, afinal, a afinidade com o mar era tanta….

 

Mas pra mim o surf era algo impossível, ficava vendo aqueles meninos fazendo aquelas manobras, eu achava que ficar em pé em cima de uma prancha era algo para pessoas mais novas, mais jovens com mais capacidade de coordenação e equilíbrio…

Foi aí que resolvemos tentar, de brincadeira, fechamos um pacote de aulas de verão numa escola de surf. E foi paixão à primeira vez, ou melhor, ao primeiro drop.

 

Comecei com um long 9.0, eu mal conseguia carregar a prancha, o instrutor me ajudava e me dava várias dicas, me colocava na onda e eu tentava ficar em pé…o tempo foi passando e eu fui fazendo mais aulas até que uma hora, o próprio instrutor me falou: você precisa ter a sua prancha!!!

 

É incrível quando você consegue aprender o famoso drop, é incrível quando você consegue pegar uma onda lá do fundo e vir até o raso, é incrível quando você consegue passar a arrebentação, é tudo incrível, tudo no surf é divertido. É uma atividade que me completa, esqueço dos problemas, das dificuldades e saio da água com a sensação de dever cumprido, missão cumprida e completamente feliz. Mesmo que de cem tentativas eu tenha acertado 5.

 

Com o surf aprendi a ser mais paciente, pois uma das coisas que precisamos é saber respeitar as condições do mar, ser paciente e observar a hora de remar pro fundo, ser paciente e esperar a série boa vir. Ser paciente porque a gente cai muitas vezes e tem que levantar e começar tudo de novo.

 

Com o surf aprendi a ser mais tolerante, mais confiante, aprendi a superar meus próprios medos e aprendi que nada é impossível quando estamos determinados a aprender e conseguir.Hoje já tenho minha prancha sob medida, uma fun 7.6 com o desenho que eu escolhi. Hoje fiz amizades que vou levar pra vida inteira por causa do surf, a galera do surf é uma família, são pessoas tranquilas, com energia positiva e com todo aquele espírito ‘’aloha’’ que entra no sangue e que transmite muita paz e felicidade.

 

Não sou profissional e nem quero ser, eu quero é aprender cada vez mais e conseguir pegar cada vez mais ondas, hoje planejo e penso em todos os lugares que eu posso ir e levar minha prancha. O melhor surfista é aquele que mais se diverte e eu me divirto MUITO quando estou surfando. Desde o momento de arrumar a mochila pra descer a serra no fim de semana, colocar a prancha no carro, passar a parafina, ver se a água está gelada, rir do caldo e dos tombos das amigas, ver os meninos bonitos na água e curtir toda essa vibe que só o surf nos proporciona.

 

Aos 31 anos, eu encontrei algo que realmente me deixa feliz e que eu posso praticar sempre…o surf mudou a minha vida, minha maneira de enxergar e lidar com as coisas, sempre com muito mais paciência e tolerância.

 

Essa é minha história com o surf e é só o começo.

 

Michele Piovezani