É, essa matéria é sem capa e significa um sentimento que se resume em apenas 3 três letras: AFF!!! …

Depois da última segunda-feira com a matéria da BBC Brasil sobre Silvana Lima, nossa reflexão que já não era pouca sobre a imagem da mulher no esporte, se intensificou.

 

Pérola 1.

Entre os comentários da matéria da BBC lemos que aquilo era #vitimismo, #mimimi e exagero, comentários (olha só que coisa) vindos de alguns HOMENS!

Quanta propriedade alguém que não vive aquilo tem para criticar o que uma mulher passa, como se ele fosse um@ e sentisse na pele certas situações o.O.

Enfim … fomos dormir engasgadas com o relato de Silvana, sobre sua dificuldade de ter um patrocínio por conta de seu perfil de não #modelete – pausa: O @RonaldinhoGaúcho é lindão né?! Tá justificado todo seu futebol  – viemos há dois anos estudando o comportamento e “novo boom” de #instagrammers, #bloguers e #youtubers no universo dos eportes de prancha (mas isso é pauta pra outra matéria, ah! vale muito ler essa que a TRIP publicou) e a pulverização da surfista perfeita, elas são lindas, magras, vestem 36 e estão toda segunda-feira de manhã com suas pranchas na água, enquanto você está aí saindo para o trampo e sonhando em um dia “ser ela”

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O que acontece com a Silvana não é “culpa” das influenciadoras “new faces instagramers” do surf ou das free surfers (com perfis “comerciais”) que levam suas fatias seja em produtos, seja em exposição na mídia, seja em $$$, elas estão ali vivendo a oportunidade que as marcas lhes colocaram por acharem que elas geram “identificação” e “sonho”, mas sinceramente (não é recalque, nem inveja daz inimigahs) essa imagem plastificada já deu, foi por isso (também) que a Longarina surgiu, pra #nahumilde te dizer isso.

A questão é esse desequilíbrio da imagem superestimada da surfista-dourada-californiana saída do TUMBLR versus o esquecimento das atletas de performance que poderiam nos levar ao pódio (com apoio e estrutura devida) in-de-pen-den-te de seu perfil, seja ele comercial ou não. O que vale é sua performace de atleta com a prancha no pé e não só no editorial de moda! Ninguém está jogando pedras, mas só querendo dizer: Equilibra essa P#$A!!!

Pérola 2.

Que dia amig@s!! Depois da pauta de ontém, acordamos com uma postagem fofa (#sqn) de um canal do instagram dizendo: “Recado importante! O (canal xpto) apóia o surf feminino!” , legal pra você que lê né? se essa mensagem não tivesse vindo com seguinte imagem:

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O canal, focado em “humor”  logicamente recebeu muitas mensagens atravessadas das meninas, encontramos … 2, é acho que 2 comentários de homens criticando o post, mas o que mais chamou a atenção foram os comentários tanto de homens quanto meninas! Aiiii, como  dói o coração! Foram tantos mas a gente separou os #Top5 que davam pra publicar (os sensurados ficaram por lá):

1. “Gente, tudo bem que é chato ser analisada só por esse ângulo…Mas o que é bonito é apreciado!”

(Literalmente ângulo né colega!? Aquele que o ginescologista conhece bem!)

2. “Pqp, até aqui tem feminista!: #vsf

(Amigo… elas brotam da terra quando te ouvem falar isso! Prepara jajá elas estão com suas pranchas de surf na sua porta, em 3…2…toc-toc!)

3. “E o #mimimi não pára!”

(O pessoal gostou dessa palavra né? Achamos ela umas 143 vezes nesse post)

4. “… fala sério… Mais liberdade de expressão, por favor!”

(Liberdade de expressão?? Apoiar o #surffeminino com a foto de uma bunda!!? o.O, Caetano, explica pro digníssimo colega o que é LIBERDADE de expressão pfvr.)

5. ” Gente, ngm merece essas feministas, se o cara posta que é contra mulher surfar é machismo, se ele posta que é a favor seja lá qual for o motivo é canalhisse! Se não quer nenhum homem olhando sua bunda não coloque biquini… simples… muito #mimimi

(Essa veio de uma mulher, a gente vai ali se jogar do prédio e já volta!! Mas antes vai mandar pra ela de presente a matéria do #Burquini, aí sim nossos problemas vão se emboraaaa! )

 

Esse canal que vos escreve, assim como o canal #SurfFemininoSim e mais um tanto de mulheres por esse Brasil que tentam com seus projetos de Norte a Sul, textos e ações desfazer essa imagem estereotipada quando não, vulgarizada, está bem triste com o caminho que tomou o esporte na categoria feminina, seja pela grande mídia, pelas gigantes marcas e canais que reforçam esse cenário.

Ficamos tristes pelas atletas que admiramos e estão na penumbra por serem “fora do padrão”, pelos xingamentos que ouvimos na água (sim, temos relatos), pelas cantadas desnecessárias quando não estamos de burca, pelas mulheres que compactuam com a opnião de que a culpa é sempre da outra mulher que se mostrou , pela palavra usada do #feminismo quando na verdade é falta de respeito, pela apropriação,  pelas mulheres (sejam atletas ou não) que tem poder de alcance na mídia e vão continuar dando vazão mais aos seus corpos do que a suas habilidades, e por quem acha que esse textão é mais um #mimimi de quem não sabe levar a vida “numa relax, numa tranquila, numa boa”

Afinal, esse mundo tá muito chato, ou as pessoas estão cada vez mais sem noção?!