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Podemos comemorar quase 100 anos da presença feminina marcando presença nos melhores picos de surf ao redor do Mundo!

A primeira aparição da mulher nas ondas foi em 1914, com a ousada Isabel Letham (1899-1995) que desafiou seu pai e partiu para o surf. Isabel foi a Australiana pioneira a surfar com uma prancha, quando na época os australianos surfavam bodyboarding com pranchas de madeira e faziam bodysurfing, mas nunca tinham ficado em pé antes.

Ela contou com a ajuda de Duke Kahanamoku, havaiano que havia sido convidado pela Associação de natação da Austrália a fazer demonstrações, ela conta que após 3 horas de surf no estilo havaiano, Isabel foi convidada a subir numa prancha e experimentar essa nova modalidade.

No Brasil, tivemos a grande influência da santista Margot Rittscher, que foi a primeira mulher a surfar em uma “tábua havaiana” que entre os anos de 1936 e 1939, utilizava a prancha do seu irmão. O surfe entrou em sua vida devido sua paixão pelo mar, pois sempre ia velejar com seu pai e nadar.

 

 

(Isabel Letham)

Margot tinha seus 21 anos e seu irmão, Tommy, tinha 19. Quando iam surfar impressionavam os banhistas que não haviam visto a cena antes e achavam que os surfistas estavam andando sobre as águas ficavam vidrados na prancha todas as vezes que os irmãos saiam da água. Então, quando seu irmão surgiu com

Ela surfou nos anos seguintes e na década de 40 ninguém mais surfava, ela ia à praia antes do trabalho acompanhada do seu Fox Terrier, que ficava na areia esperando-a.a ideia de fazer uma prancha logo ela empolgou-se. A prancha foi feita a partir de um projeto que Tommy viu em uma revista.

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O surf só foi aquecido em Santos na década de 60, porém as mulheres não surfavam pois havia o preconceito de que mulheres de família tinham que se preocupar com o casamento, casa e atividades domésticas.Como ela nunca pensou em casamento, dedicava-se ao surf em seu tempo livre.

 

Margot tirou muitas lições com o surf, que a ensinou a ter jogo de cintura e calma para entender as ondas da vida, e que a onda certa te leva para mais longe! Faleceu recentemente, e durante toda sua vida manteve-se muito ativa, nunca casou-se porém viajou muito aproveitando sua própria companhia e em uma entrevista disse que a primeira coisa que fazia ao acordar era observar o mar da janela da sua sala.

 

Na época dessas mulheres as pranchas não eram com o shape que conhecemos hoje, eram “tábuas” enormes, pesadas, e não havia metodologia de aprendizagem e nem canais de incentivo.

A presença dessas precursoras no esporte foi crucial e responsável pela quebra do preconceito, uma vez que o surf era um esporte exclusivamente masculino e que somente mulheres masculinizadas tentavam praticar. Qual garota nunca escutou a seguinte afirmação: “SURF é coisa de homem!”

 

(Margot Rittscher e sua prancha reformulada)

A persistência delas em continuar a surfar, mesmo com toda dificuldade, influenciou muito nossa geração, hoje temos livre acesso as ondas, aos picos, e estamos a cada dia surfando ondas maiores e desafiando limites, usando equipamentos melhores e ganhando espaço no cenário do SURF mundial. Temos muitas surfistas com muita técnica competindo e a cada dia novas meninas despontam no esporte.

Por isso, não desistam diante dos caldos, ou se sintam sozinhas na água! no que pudermos apoiar e reunir essa mulherada a fim de estar na água, faremos! Afinal é nosso retorno à esses exemplos que desbravaram os mares por ai.

 

Fonte:Wikipedia, Website da Revista TRIP